O espetáculo levará ao público brasiliense as Artes do Repente, da Literatura de Cordel e da Poesia Matuta com uma roupagem musical genuinamente brasileira, dando a jovens e adultos a oportunidade de terem contato com essas artes e conhecimento acerca de alguns de seus artistas pioneiros.

O Repente, a Literatura de Cordel e a Poesia Matuta constituem parte significante do vasto Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira e estão fortemente presentes na região Nordeste do Brasil, principalmente nas localidades regionalmente chamadas de sertão, cariri e agreste.

Os artistas homenageados in memoriam neste Projeto foram peças fundamentais para a consolidação dessas modalidades artísticas. Graças à memória popular conservada pela oralidade, à renovação das gerações de artistas devotos das mesmas vertentes, aos adoradores fiéis e a pesquisadores, esses artistas do sertão tiveram seus nomes e versos imortalizados, porém, ainda pouco conhecidos por grande parte de seus conterrâneos da geração atual. O espetáculo proposto no projeto é, sobretudo, uma homenagem a esses “guerreiros” da cultura nordestina que bravamente persistiram em suas expressões e se imortalizaram como ídolos de milhares de artistas e adoradores da poesia nordestina, não apenas por sua arte, mas também por seus ideais de igualdade.

Dentre os homenageados no projeto estão o repentista Domingos Fonseca (1913 – 1958), o cordelista Leandro Gomes de Barros (1865 – 1912) e o poeta matuto Patativa do Assaré (1909 – 2002).

Domingos da Fonseca fundou a primeira associação de cantadores do Nordeste, com Sede em Fortaleza, com o apoio de companheiros de profissão captou recursos financeiros e adquiriu o terreno onde foi construída a Casa do Cantador em Fortaleza, na década de 50. O seu sonho de igualdade passava pelo desejo de erradicação da pobreza ao conferir dignidade aos artistas sertanejos de regiões pobres e descriminadas pelas populações dos centros urbanos desenvolvidos.

Patativa do Assaré, como poeta matuto, defendeu os direitos humanos e condenou a corrupção e as injustiças sociais. Seu nome foi popularizado ao lado de artistas como Luiz Gonzaga e Fagner. Sua obra poética e musical tem sido intensamente reproduzida por artistas da vertente popular nordestina.

Leandro Gomes de Barros, rompeu as dificuldades da vida e se consagrou como o único escritor brasileiro de sua época que vivia exclusivamente de sua criação literária, a hoje chamada Literatura de Cordel, forma de literatura esta que foi ardilosamente alvo de preconceito por parte de membros da elite literária acadêmica da época que frustrada com a alta receptividade dos folhetos em todo o País tentava desclassificar os “poetas de bancada”.

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